Guarda compartilhada em crescimento no Brasil: o que isso muda nas famílias.
No dia 13 de dezembro de 2025, tive o prazer de participar de uma entrevista feita pelo Globo News no portal do G1.
Partindo de um estudo que mostra um dado importante e pouco discutido: o crescimento da guarda compartilhada no Brasil e o que isso revela sobre nossas relações, famílias e responsabilidades parentais.
A guarda compartilhada está ganhando cada vez mais espaço no Brasil – mas o que isso significa para as famílias? Nesta entrevista, abordamos as mudanças, desafios e impactos dessa realidade.
Dados do IBGE mostram o aumento da guarda compartilhada no Brasil.
Um recente estudo do IBGE mostra que o número de famílias que possuem a guarda compartilhada vem crescendo de forma consistente no Brasil.
Esse aumento não acontece por acaso. Ele reflete mudanças sociais importantes, como:
- uma nova compreensão sobre o papel de pai e mãe após a separação;
- a busca por decisões que priorizem o bem-estar emocional dos filhos;
- e a aplicação mais consciente da lei da guarda compartilhada pelo Judiciário.
A guarda compartilhada não significa “dividir a criança”, mas sim dividir responsabilidades. A ideia central é garantir que filhos mantenham vínculo, presença e referência com ambos os genitores, mesmo quando o relacionamento do casal chega ao fim.
Desde 2014, a legislação brasileira passou a tratar a guarda compartilhada como regra, e não mais como exceção. A lei estabelece que, sempre que possível, pai e mãe devem participar de forma ativa e equilibrada das decisões sobre a vida dos filhos, mesmo quando não há acordo entre eles. O objetivo é claro: garantir o melhor interesse da criança, preservando vínculos afetivos, convivência familiar e corresponsabilidade parental.
Como funciona a guarda compartilhada na prática: o que pesa na decisão.
Na prática, a definição da guarda compartilhada vai muito além de quem fica com a criança em cada dia da semana. O que a Justiça analisa é um conjunto de fatores que envolvem responsabilidade, disponibilidade e estabilidade.
Entre os principais pontos considerados estão:
• o bem-estar físico e emocional da criança;
• a capacidade de cada genitor em atender às necessidades do menor;
• a rotina escolar e a localidade;
• a convivência familiar e a manutenção dos vínculos afetivos;
• e também as condições financeiras, sem reduzir a guarda a dinheiro;
Importante entender: guarda compartilhada não significa divisão igual de tempo, e não anula a pensão alimentícia. São questões diferentes, que muitas vezes se confundem, mas são analisadas separadamente durante o processo judicial.
O objetivo central é garantir que a criança cresça em um ambiente seguro, com referência, cuidado e participação ativa de ambos os pais, mesmo após a separação.
Distância não anula direitos, mas impacta decisões.
Na guarda compartilhada, a análise não acontece no plano ideal, e sim na vida real de cada criança. Questões como distância entre as residências, rotina escolar, atividades extracurriculares e rede de apoio têm peso real na definição da guarda e da convivência.
O Judiciário costuma levar em consideração:
• a logística do dia a dia da criança;
• a proximidade da escola e dos responsáveis;
• a estabilidade da rotina;
• o impacto emocional das mudanças constantes;
• e a possibilidade prática de participação ativa de ambos os genitores;
Guarda compartilhada não ignora a distância, mas também não a utiliza automaticamente como impedimento. Cada situação é analisada com foco no melhor interesse da criança, equilibrando convivência, estabilidade e presença.
Por isso, mais do que “quem mora mais perto”, o que importa é quem consegue oferecer uma rotina viável, saudável e segura.
O dever de cuidar não se resume ao dinheiro. Presença também é responsabilidade.
Durante muito tempo, a responsabilidade paterna foi reduzida quase exclusivamente ao aspecto financeiro.
Na prática, isso ainda se reflete em muitos processos judiciais. Apesar da legislação avançar no reconhecimento da coparentalidade, a cultura jurídica e social ainda enfrenta obstáculos, como:
• a ideia de que o cuidado cotidiano dos filhos, é obrigação materna;
• a dificuldade em comprovar ausência de participação paterna além do pagamento de pensão alimentícia;
• decisões que priorizam o financeiro, mas deixam lacunas no vínculo afetivo;
• e a resistência em exigir envolvimento ativo do pai na rotina da criança;
Responsabilizar o cuidado paterno vai além da pensão. Envolve presença, participação em decisões, acompanhamento escolar, atenção à saúde e construção de vínculo.
Para lidar com esses desafios, é essencial:
• documentar a rotina e a participação (ou ausência) de cada genitor;
• buscar orientação jurídica desde o início do processo;
• compreender que o interesse da criança deve prevalecer sobre disputas pessoais;
• fortalecer o diálogo entre os genitores em prol da criança;
• Isolar os conflitos da conjugalidade para que a parentalidade seja priorizada;
Link da matéria no Globo News: https://g1.globo.com/globonews/jornal-globonews-edicao-das-10/video/guarda-compartilhada-de-filhos-cresce-no-brasil-14178330.ghtm



